“Há coisas piores do que
estar só
mas costuma levar décadas
até que o percebamos
e frequentemente
quando o conseguimos
é demasiado tarde
e nada pior
do que
ser demasiado tarde.”
estar só
mas costuma levar décadas
até que o percebamos
e frequentemente
quando o conseguimos
é demasiado tarde
e nada pior
do que
ser demasiado tarde.”
— Bukowski, poema Oh Sim. (via o-padre)
“Talvez eu repita esse procedimento várias vezes, deitar na cama e abrir o caderno, rabiscar qualquer palavra tentando chegar até você. O nosso cd tocou inúmeras vezes até que adormeci. Acordei com o toque de celular e seu nome na tela, era como se depois de anos minha alma finalmente pudesse sentir o que era felicidade. Atendi e ouvi o som da tua voz rouca dizendo que as coisas estavam difíceis e que adoraria meus braços naquele momento, os braços que por muitas vezes estiveram entrelaçados no teu corpo. Repito aquelas três palavras que tanto eu como você gostávamos de ouvir um do outro. Fiquei ali, esperando resposta ou até mesmo que você abrisse aquela porta e dissesse que jamais cometeria os mesmos erros novamente, que estava disposta a olhar mais uma vez pros meus olhos tão vazios, ao te verem eles eram tão brilhantes. Eu gostava em partes daquele nosso silêncio, dizia por nós o que nunca falamos, aquelas entrelinhas, a vontade de estar um com o outro aquele momento, não precisávamos de palavras para saber o quanto dependíamos daquele amor doentio, aquele amor que tanto tirava nosso sono e interrompia nossa concentração. Eu poderia escrever aquelas palavras de novo.
“E meu Deus como eu queria pelo menos sentir você, hora ou outra queria te ouvir falar outra vez o quanto minha gola desarrumada te irritava e que meu chinelo jogado no meio da sala te tirava do sério. Escrevo essas palavras nesse papel de rascunho que encontrei à mesa de trabalho, eu só queria mostrar que não existe hora pra poder pensar em você, são dez e trinta e oito da manhã e as horas iguais não dizem tanto assim.”
Você sorriu dizendo isso ao telefone, era aquele papel que eu guardei dentro do cd que te dei, aquele nosso cd que fazia jus a cada fase da nossa vida juntos. Os relógios paravam quando estávamos juntos, mesmo nos perguntando onde estava a luz em meio a tanta escuridão, ela nunca desapareceu. Nós havíamos matado o sol - eu o matei -, a cidade inteira queimou por você, e todos os nossos dias seriam os mesmos. “Faz o seguinte, não se torture sentindo a minha falta. Só fecha teu olho e eu estarei contigo.” E fechamos, nosso antigo costume. Mas tudo se esvaeceu. Sobrou aquele caderno com nossas histórias para contar. Maldito sonho.”
“E meu Deus como eu queria pelo menos sentir você, hora ou outra queria te ouvir falar outra vez o quanto minha gola desarrumada te irritava e que meu chinelo jogado no meio da sala te tirava do sério. Escrevo essas palavras nesse papel de rascunho que encontrei à mesa de trabalho, eu só queria mostrar que não existe hora pra poder pensar em você, são dez e trinta e oito da manhã e as horas iguais não dizem tanto assim.”
Você sorriu dizendo isso ao telefone, era aquele papel que eu guardei dentro do cd que te dei, aquele nosso cd que fazia jus a cada fase da nossa vida juntos. Os relógios paravam quando estávamos juntos, mesmo nos perguntando onde estava a luz em meio a tanta escuridão, ela nunca desapareceu. Nós havíamos matado o sol - eu o matei -, a cidade inteira queimou por você, e todos os nossos dias seriam os mesmos. “Faz o seguinte, não se torture sentindo a minha falta. Só fecha teu olho e eu estarei contigo.” E fechamos, nosso antigo costume. Mas tudo se esvaeceu. Sobrou aquele caderno com nossas histórias para contar. Maldito sonho.”
— Thomás. (666)





